15/03/2010

Pedaço junto, mas separado!

[...]E lá estava eu, andando pelos paralelepípedos, ignorando as dores causadas pela queda nas montanhas e prestando atenção até nos mínimos ruídos, imaginando patas de cachorro se movendo alegremente.
As ruas de Xengã estavam escuras e geladas. O frio cortante me fazia agradecer por ter me lembrado de trazer um sobretudo.
Uma baixa névoa estava começando a se formar, percebi isso ao olhar para meus pés. Os sapatos pretos permitiam que eu visse a névoa se movimentar, cinzenta.
Eu caminhava, ouvindo apenas o barulho de meus sapatos. Estava na Rua Cinza, um pouco longe da Rua Paralelepípedo. Já havia procurado Teminho por várias outras ruas até chegar naquela.
Nunca tinha estado naquela rua, era a primeira vez. Eu não tinha certeza de que não desejaria voltar depois. Era uma rua morta, pior que a Paralelepípedo. Essa era sombria, escura, os postes de luz estavam todos apagados.
-Teminho! –chamava não tão alto. –Teminho!
Nada mais na rua era audível. Nada exceto minha respiração. Eu não podia ir embora muito tarde. Eu tinha que estar na cama à meia noite – em que o desanimado se transformaria em inanimado e a inanimada se transformaria em animada.
Eu tinha sentido o desespero e a tristeza dela na carta que Zafira escrevera. Havia pontos úmidos, onde eu tinha certeza que ela tinha chorado. Entretanto, ela não poderia ter essa certeza em uma carta de minha autoria, pois minhas mãos suavam muito e qualquer carta minha ficaria úmida.
-Teminho! –ele nunca atenderia diretamente a um chamado meu. A menos que estivesse preso em um cubículo – minha casa – só comigo de alma viva. –Teminho! –ele preferia Zafira e eu não o culpava.
Algo na rua inesperadamente se moveu e eu dei um salto involuntário de susto[...]


Medalhão - Juntos, mas Separados [pg. 71, Capítulo Nove - Ciente]


xDan

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