28/03/2011

Contradição

Tevê 
(Zeca Baleiro)

Um filme na tevê
Um corpo no sofá
O tempo pra moer
O vidro do olhar
E a vida a passar
A vida sempre a passar
Passar

Olhando a estrela azul
Azul da cor do mar
Comédia comum
Um drama vulgar
E a vida a passar
A vida sempre a passar
Passar

Comercial de xampu
Cerveja e celular
Mentiras para crer
E credicard
A consumir, a consumir
A consumir o olhar
O olhar


xDan

24/03/2011

Bagunça

 O maior medo de alguém que passa anos e anos com os amigos indo pra escola é perder o contato com eles com o fim dela. No meu caso posso dizer que estou aliviado que isso não tenha acontecido. Nos encontramos na casa da Thay... Nós, os G3, mais o André e minha irmã Bianca. Matias e Gabriel não foram e estão nos devemdo. Com esse pessoal passei meus melhores anos de escola, lugar do qual até então eu nunca havia tido boas lembranças ou amizades marcantes. Naquela noite jogamos UNO (nosso vício nos tempos de escola), Banco Imobiliário e pedimos pizzas... Gritamos todos juntos para que a mulher fizesse desconto e, como somos ótimos perturbadores do silêncio, ela se rendeu. Dormimos todos expremidos na sala assistindo Jogos Mortais. Se eu assisti 10 min do filme foi muito. Eu achei que ninguém ia dormir, todo mundo pegou no sono no mesmo segundo... Estamos ficando velhos! No dia seguinte quatro de nós (inclusive eu) fomos acordados por um maldito despertador. Sem conseguir dormir, acordamos as meninas que ainda dormiam com Eu Me Remexo Muito no celular e tirando a tampa do colchão de ar, levando-as ao chão. Foi uma guerra de almofadas (e sapatos!) , mas os ferimentos foram leves. Em resumo, é legal ter amigos de verdade.

xDan

ps: ah, e parabéns para a Gabi!

22/03/2011

Presente

 Depois de morrer, fui mais feliz. Passei a receber presentes todo domingo. Além de datas especiais como meu aniversário, natal, páscoa e outros... Por mais que ninguém estivesse feliz com minha partida, eu estava. Afinal eu nunca tinha percebido que tanta gente gostava de mim... Só em meu enterro. Nunca me senti tão importante! Sempre que levavam flores para meu túmulo eu pegava um copo com água para hidratá-las. Elas acabavam morrendo e eram substituídas por outras; não eram como eu. Único. Ninguém sentia a falta de uma flor. Percebi então algo estranho. Enquanto eu vivia nunca me compreenderam como compreendem as flores. Quando morri todos me amaram e esqueceram das flores mortas. Talvez eu nunca entenda o que realmente os humanos valorizam.

xDan