24/07/2011

Há dez anos...

...eu havia ouvido falar pela primeira vez de Harry Potter ao ganhar de presente uma coleção com cinco bonecos de personagens dos quais eu nunca tinha ouvido falar. Disseram-me que tratavam-se de um filme de bruxos e que era bem legal. Gostei dos bonecos, havia dois Harrys (um com uniforme de quadribol), uma Hermione (que eu não sabia se era menina ou menino no momento), um Rony e Hagrid (que achei o mais esquisito). Em minha escola todos estavam comentando, eu fiquei irritado de ainda não ter assistido o filme 'assunto do momento' e então quando fui fazer compras com minha família no mercado eu encontrei o VHS de Harry Potter e a Pedra Filosofal e disse: "Olha pai" e ele respondeu colocando no carrinho "Vamos ver se é legal!". Eu tinha 8 anos quando assisti pela primeira vez, em VHS, com minha família, o primeiro filme da saga que anos mais tarde se tornaria um marco em minha infância e adolescência e início de vida adulta. Adorei o filme, apesar de ter ficado com um pouco de medo na primeira aparição de Voldemort. Sonhei em estudar em Hogwarts na mesma noite, tudo era tão fantástico. Pensava eu: por que não estudo em uma escola assim também?
No VHS do primeiro filme, lembro que venho um encarte anunciando que a sequência, Harry Potter e a Câmara Secreta, seria lançado no ano seguinte e achei isso bem curioso. Uma prima havia comentado comigo que a produção do filme não ia ter descanço até o fim da série, para evitar que as crianças que atuavam como protagonistas (principalmente) ficassem mais velhos do que seus personagens literários. Algo que me incomodava muito era não ter a mesma idade que o trio, eu queria ser da idade deles, queria viver como eles. Por que a vida real era tão chata se alguém havia escapado dela para inventar Hogwarts? Eu não entendia isso. Colecionei o álbum de figurinhas do segundo filme e quando fui assisti-lo no cinema sabia praticamente toda a história. Não foi decepcionante, mas naquela época eu gostava mais do primeiro. A verdade era que eu ainda não entendia muito sobre Harry Potter, apesar de gostar bastante.
Na época em que eu não havia visto comercial e muito menos comprado o álbum de figurinhas, foi lançado Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Estava morrendo de vontade de ver, principalmente quando, enfim, vi o comercial bem na cena em que Hermione dava um soco na cara de Draco Malfoy, que fazia eu me lembrar de idiotas da escola da época. Eu sabia qual seria o nome deste filme porque lembro que um garoto de minha pirua escolar estava lendo, mas eu, como era ridilamente tímido, nunca havia falado nada a respeito. Um amigo havia me contado algo sobre o rato de Rony ser na verdade um homem, um tal de Pedro, mas no momento nem havia dado importância, eu só sabia que muitas pessoas estavam falando bem daquele filme. E não era para menos, quando, tardiamente, assisti o terceiro filme da série fiquei simplesmente ainda mais maravilhado do que nos anteriores. O ritmo era outro, a magia havia mudado. O filme estava mais sombrio, sim, mas parecia também mais dinâmico e divertido. A história tinha evoluído e senti isso na primeira vez que assisti, elegendo este terceiro capítulo o meu favorito. Outra coisa marcante foi a mudança do trio principal. Eles haviam mudado, crescido. Isso me aborreceu um pouco, ficou enfim claro que estavam mais velhos do que eu. O desejo de ler os livros vinha crescendo, mas sempre que eu tentava pegar emprestado da biblioteca não obtinha sucesso. Eu precisava comprá-los, mas na época eu estava bem mais interessado em brincar com meus super-heróis de brinquedo.
Já às vesperas de Harry Potter e o Cálice de Fogo eu já tinha o álbum de figurinha na mão, que revelava grande parte da trama. Foi o primeiro álbum que completei na vida e fiquei orgulhoso. Assisti ao quarto filme em um DVD pirata, com imagem péssima, gravado do cinema. Não gostei muito do filme, perto do anterior eu sabia que seria bem difícil de superar e não estava enganado. Com suas sequências iniciais rápidas, mal feitas e mal exlicadas, este foi, e ainda é, em minha opinião, o pior filme da série. Claro que há aspectos positivos, como o Baile de Inverno e a Segunda Tarefa, que consiste em um mergulho cheio de efeitos visuais no lago negro, infestado de sereianos e outras criaturas. Ah, gostei também do renascimento de Lord Voldemort, que enfim ganhou um corpo para poder lutar contra seu inimigo Potter. Fiquei extremamente frustrado ao final, quando Lúcio Malfoy se revela um Comensal da Morte. Por que Harry não havia contado aos demais bruxos sobre Lúcio? Ele podia ser preso! Mas eu ainda nem imaginava que essa indagação faria parte de algo bem maior, algo que estava gaurdado para o próximo filme da série.
Espantosamente, comecei a ganhar todos os livros da série de uma vez só poucos meses depois de assistir ao último filme. Lembro que ganhei primeiro o terceiro livro, de aniversário, depois, o primeiro, segundo e quarto, de uma só vez. Após devorar os quatro primeiros livros da série eu estava entendendo tudo bem melhor. Mesmo sabendo o que aconteceria nas histórias, eu estava as enxergando de um modo novo, bem mais envolvente e indagador e às vezes encontrava grandes diferenças entre livro e adaptação para o cinema. Ao juntar dinheiro, comprei o que seria o primeiro livro da série que eu leria antes de ver o filme e eu estava muito empolgado. Harry Potter e a Ordem da Fênix foi um livro especial em minha vida. Imaginei cada lugar novo (como o Minisério da Magia e o Hospital St. Mungus) sozinho, não tinha a base dos livros. Foi outro sabor, sem mencionar que o livro tinha cheiro de incenso por ter sido comprado em loja esotérica e imaginei a história inteira cheirando incenso (hehe). Ao assistir a adaptação no cinema fiquei decepcionado. Pouco fora igual o que eu tinha imaginado, embora algumas coisas haviam ultrapassado minhas expectativas. Fui o analisando melhor com o passar do tempo e hoje é meu filme favorito. Tenho certo favoritismo por essa história, com a qual mais me indentifiquei. As informações que nos são ocultas, a união, o 'começar por baixo' e a revolta adolescente fazem do quinto livro e filme um momento de decisivo amadurecimento.
Ao ler Harry Potter e o Enigma do Príncipe antes mesmo de assistir ao quinto filme eu fiquei estranhamente perturbado. Cheguei a derramar lágrimas no capítulo em que Dumbledore morria e ao terminar o livro lembro de afirmar que não havia gostado muito dele. De fato, esta sexta história me pareceu fraca em comparação às outras, mas ao mesmo tempo havia uma complexidade e explicações que eu deveria esperar o próximo e último livro da série para ter uma certeza. Apesar de não esperar grande coisa do filme, fiquei revoltado quando a data de lançamento foi mudada para o ano seguinte, já que várias fotos das cenas já haviam sido postadas. Fiquei revoltado, mesmo sabendo que aquela história não era, nem de longe, tão boa quanto a do quinto livro e filme. Já nessa época meu fanatismo por Harry Potter havia ser tornado evidente. Eu assistia pelo menos um pedaço de algum filme todos os dias, colecionava as peças de xadrez da banca de revista. Porém era diferente meu fanatismo. Àquela altura tinha mais sentido. Eu entendia as grandes morais por trás das histórias e os personagens estavam mais interessantes do que nunca. Quando o sexto filme finalmente foi lançado eu me surpreendi, pois nele havia mais do que eu esperava. Fui sem grandes expectativas e não fiquei irritado com a adaptação. Talvez o segredo fosse não esperar muito nunca.
Com a notícia da divisão do último filme da série eu não podia ter ficado mais satisfeito. Ao ler o último livro logo notei que seria bem difícil encaixar toda aquela sequência fora de Hogwarts e de grandes batalhas em um filme só e pensava tristemente em tudo que iam cortar do filme. Havia adorado o último livro, fora o mais emocionante e envolvente que já havia lido da série, embora tenha o achado um tanto incompleto. Parece que as melhores coisas do mundo nunca estão completas, sempre queremos mais e mais. Enfim, eu não havia percebido que a série havia acabado, que não teria mais nenhum livro para ler ou filme para esperar após este sétimo. Felizmente a divisão conseguiu disfarçar um pouco isso. Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 foi como assistir ao livro. Pouco fora cortado, o filme foi quase tão rico quanto o livro, eu estava satisfeito e extremamente ansioso para a segunda parte. No filme anterior eu havia ido à estreia, neste tive a sorte de ir a pré-estreia, mesmo com meu pai reclamando, e com razão, do horário que começava e pior ainda: terminava a sessão. Um infortúnio que eu, infelizmente, teria de repetir no ano seguinte. Eu já era um fã, o que mais podia fazer? (rsrs) A primeira parte havia me emocionado bastante, afinal reuniu muitas informações das histórias anteriores, mas praticamente as jogou nas trevas. A inocência dos personagens morrera junto com a pobre coruja Edwiges e com o elfo Dobby, eles estavam agora no sombrio mundo adulto. Um detalhe engraçado era que eu enfim havia alcançado a idade dos personagens (já que alguns filmes haviam atrasado um pouco para serem lançados), mas isso já não importava mais.
E então o dia chegou. Mais rápido do que eu imaginava. Não sabia se estava preparado para testemunhar o fim dessa série que tanto havia acompanhado. Parecia que eu nem lembrava mais que ela tivera um início, parecia ter sempre existido, eu não sabia mais como era o mundo antes de Harry Potter. Eu havia esquecido. Fui, como um bom fã, fantasiado com o uniforme caríssimo de Hogwarts para a pré-estreia da segunda parte. Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2 passou rápido e eu, estranhamente, não reconheci como eu estava reagindo àquilo. Achei emocionante, mas ao terminar a sessão eu não senti que havia acabado. Não sabia se havia gostado ou não, só sabia que precisava rever. Revi e agora então posso falar sobre com os olhos inchados. O filme é, na verdade, a continuação da história iniciada no ano passado e por isso não deve ser considerado curto nem rápido, já que é somente o final do mesmo livro. Porém, tudo o que há naquelas maravilhosas últimas páginas está praticamente igual e bem explorado no filme. A batalha é até mais emocionante, ângulos diferentes de Hogwarts foram bem explorados e a destruição da escola que foi o lar de todos nós durante todos esses dez anos parecia doer em todos os que assistiam junto a mim. Lágrimas pelas mortes, lágrimas pelas frases, boas risadas, risadas que logo se calavam para entender a próxima cena. Todo o universo que fora maravilhosamente constrído em dez anos começou a se desmoronar em dez minutos. É impossível não sentir um aperto no coração, uma ansiedade para saber o que acontece em outra parte do castelo naquele mesmo momento ou mesmo uma grande tristeza mista de alegria por tudo estar acabando. Abando sim, mas de maneira honrada. Fico feliz em dizer que este último capítulo de Harry Potter e seus amigos concluiu da melhor maneira essa brilhante saga que ficará na memória de toda esta geração. Sentirei muita falta dos livros, dos filmes, da ansiedade pelo próximo, da expeculação de como tudo vai ser no próximo. Sentirei falta das brigas de Rony e Hermione. Da evolução surpreendente de Neville. Das crenças hilárias de Luna. Da arrogância dos Malfoy. Da loucura sem limites de Belatriz. Dos assassinatos de Voldemort. Enfim, das aventuras de Harry Potter que, felizmente, estarão sempre disponíveis para serem lidas, relidas, assistidas, jogadas, encenadas...
Está claro para mim que esta é uma das mais ricas obras literárias que existem. É claro que quem não entende o que essa saga representou para inúmeros fãs não pode dizer o mesmo. Se alguém quiser realmente descobrir o significado de tudo isto que ainda não tenha encontrado nos filmes, sugiro que leia os livros ou ao menos tente entender as grandes morais da história. Harry Potter está acima dos títulos modinha, fenômeno adolescente, aventura do bruxinho e outras porcarias que dizem sem buscar a essência de tudo isso.

Hoje, aos 18 anos, acho difícil descrever em uma postagem o quanto esta série significou para mim. Quantos de seus ensinamentos levarei comigo para sempre. O quanto de imaginação que ampliei imaginando cada capítulo. O quanto de inspiração que adquiri para começar a ter planos como escritor e jornalista. Bem, como disse o próprio Alvo Dumbledore:

"As palavras são nossa inesgotável fonte de magia. 
Elas podem de fato ferir, mas também podem curar"

xDan

PS: "Minha filha não, sua vadia!" Molly Weasley

Um comentário:

Lianah disse...

Putz! este seu post me fez viajar... Triste e lamentavel saber que tudo acabou, que a saga que nos acompanhou em uma fase importante de nossas vidas nao tera mais continuacoes... Maas... como voce bem disse os livros ainda estao ai para serem lidos, os filmes para ser vistos. os jogos para ser jogados quantas vezes nos der vontade... Harry Potter tambem ficara marcado pra mim!!! Ah, o Alvo esta totalmente certo quando conceitua as palavras, a escrita desta maneira!

xD